domingo, 19 de outubro de 2008

Este livro do cartunista Jaguar (Hélio Jaguaribe) é composto de capítulos curtos, cada um dedicado a um bar ou a um conjunto de bares.
Jaguar descreve, com muito bom humor, os cardápios, os personagens, a decoração e, claro, suas passagens pelas centenas de bares cariocas em que fez calo no cotovelo. Alguns “mandamentos” de Jaguar para freqüentadores de botequins::
1 - Cachaça da boa não dá amnésia alcoólica.
2 – “Meia-trava” é uma parada no bar para tomar umas e jogar conversa fora. A parte da conversa não é obrigatória.
3 – Para tirar carteirinha de botequeiro carioca, além de ser bom de copo, é preciso encarar petiscos “de responsa”: coxa de frango ensopado, fígado de galinha, moela, carne assada, sanduíche de fritada etc...
4 – Botequeiro que é botequeiro bebe em pé, com o cotovelo criando calo no balcão.
Além dos bares cariocas, jaguar também inclui em seu roteiro etílico bares típicos de São Paulo como o Frango, o Pirajá e o extinto Sujinho, também conhecido como Bar das Putas, na Consolação.
Para conhecer outras obras botequeiras do nosso acervo, desça até a prateleira de Livros Sobre Boteco à esquerda da página.

sábado, 4 de outubro de 2008

Memórias etílicas de Moacyr Luz

Famoso pela excelência de suas músicas em parceria com letristas “monstros” da MPB (Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro), o cantor e compositor Moacyr Luz é autor do livro Botequim de Bêbado Tem Dono (Editora Desiderata). A coletânea traz 25 crônicas de botequim escritas em prosa e copo.
O próprio Moacyr reconhece que o número de casos encadernados está aquém da sua vivência entre mesas e balcões: “Modestamente caberiam mais uns cem casos de outras biroscas perdidas nos labirintos do meu coração ou do meu fígado, sendo menos lírico. Costumo brincar que as minhas histórias são baseadas em fatos irreais, mas aqui não, foi tudo vivido até a última dose. As memórias etílicas de Moacyr foram ilustradas por Chico Caruso.
E como garrafa emprestada que não se devolve, vou piratear do Buteco do Edu a colossal entrevista que ele fez com Moacyr Luz há exatamente três anos. Nunca jamais nenhum veículo de imprensa trouxe a público toda a enormidade deste artista como a entrevista que vai ficar estocada na nossa seção Conversas de Botequim.

domingo, 28 de setembro de 2008

Trabalho, Lar e Botequim: O Cotidiano dos Trabalhadores na Rio de Janeiro da Belle Époque

Sidney Chalhoub

Zé Galego, Paschoal e Júlia. A tríade central de personagens a partir dos quais o professor Chalhoub investiga o cotidiano da vida dos trabalhadores na cidade do Rio de Janeiro no início do século XX. O livro, agora em 2° edição, começa com um homicídio: Antonio Paschoal Faria é acusado de matar Antonio Domingos Guimarães, vulgo Zé Galego. Quando ambos se encontravam num botequim, começaram a discutir. Mais tarde, quando tudo pareceia Ter acabado, ouvem tiros de revólver, e Zé Galego agoniza no chão, com uma bala que lhe perfurara o crânio. O pivô de tudo pode ter sido Júlia, ex-amante de Zé Galego e agora amásia de Paschoa. As controvérsias levantadas pelos jornais da época fazem o narrador pesquisar a fundo os processos criminais que foram a julgamento.
Júlia, segundo o acusado, estava presente na origem dos fatos, um botequim no qual vítima e assassino jogavam por dinheiro. O livro de Chaloub é quase um libelo em defesa da utilização abrangente de processos criminais em estudos de histórias social. O livro pode ser lido como um romance, “no qual o cotidiano dos trabalhadores do Rio de Janeiro da belle époque é o tema central do livro, escrito com a seriedade de um folhetim, onde o rigor não empana o gozo da leitura”, conforme assinala o Paulo Sérgio Pinheiro.

Editora da Unicamp (2005)
320 páginas - R$ 38,00

Dica de Enrico Spaggiari

Sociologia de Botequim

Sérgio Caiuby Novaes

O espaço democrático do boteco é o cenário para as 11 histórias deliciosas e bem humoradas, que retratam o comportamento brasileiro simples e comunicativo.

Editora Nobel, 1986
60 páginas

Dica de Enrico Spaggiari

O bar da Tita: política e redes sociais

Claudia Guebel
(In: PALMEIRA, Moacir e GOLDMAN, Marcio (Orgs) Antropologia, voto e representação política)

Claudia Guebel leva o leitor a um palco urbano no interior nordestino onde examina a prática cotidiana de uma coordenadora de campanha do Sindicato dos Trabalhadores Rurais durante as eleições estaduais e nacionais de 1990. Comparando as diferentes esferas de sociabilidade - trabalho, família, política e lazer - procura entender o jogo de cruzamentos e evitamentos nas relações pessoais para inferir como as fronteiras do espaço social modificam-se durante o "tempo da política".

Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 1996

Dica de Enrico Spaggiari

Meu Lar é o Botequim

Eduardo Goldenberg

“Este livro não é uma ode nem aos bares nem aos botequins mais vagabundos, aos quais e não resisto, com a licença de Aldir Blanc e Moacyr Luz. É, talvez, uma homenagem aos bairros da Tijuca e de Vila Isabel, o primeiro onde eu nasci e fui criado, e o segundo, que aprendi a amar...” – Eduardo Goldenberg, é advogado e dono do Buteco do Edu
(e-mail: edugoldenberg@gmail.com)
O livro tem o prefácio de Aldir Blanc.

Casa Jorge Editorial – 2005
259 páginas

Dica: David da Silva

Meu lar é o botequim – Alcoolismo e Masculinidade

Maria Izilda Santos de Mattos

Um estudo histórico sobre os discursos sobre o botequim e o alcoolismo nas instituições e nas letras de música popular. O período analisado vai de 1980 a 1940.
A abordagem se destaca ao focalizar a construção histórica das masculinidades, temática bastante atual e com escassa bibliografia.
Conheça o
currículo completo da autora

Editora Nacional – 2000
112 páginas
Dica do antropólogo Pedro Paulo Thiago de Mello

O Significado do Botequim

Luis Antonio Machado da Silva
(In: Kovarick, Lúcio. (Org.) Cidades: Usos e Abusos, p. 73-113) (Versão anterior em: Centro Latino Americano de Pesquisas em Ciências Sociais, Ano 12, número 3, julho-setembro de 1969)

Um clássico da sociologia do boteco. O autor é graduado em Sociologia e Política, mestrado em Antropologia Social, doutorado em Sociologia, e pós-doutorado em Sociologia Urbana. Seus estudos enfocam principalmente: teoria social, favela, sociabilidade, violência, cidadania e informalidade.

São Paulo: Editora Brasiliense, 1978

Dica do antropólogo Enrico Spaggiari

Sociologia de Botequim

Messias Mendes

Manuel Messias Mendes Almeida mora em Maringá (PR). É jornalista aposentado e blogueiro (e-mail: messiasmendes@bol.com.br)
Antes de militar na imprensa, foi engraxate, vendedor de vassoura, lavrador, oficce-boy e entregador de mercadoria de um escritório de representações comerciais.



Clichetec – 1995

Dica do antropólogo Enrico Spaggiari

A confraria da esquina: O que os homens de verdade falam em torno de uma carne queimada

Rolf Ribeiro de Souza

Livro sobre o churrasquinho de rua.
Dica do antropólogo Pedro Paulo Thiago de Mello

Bar Treze : Lazer, Política e História

Luiz Carlos Ponzi

Luiz Carlos Ponzi é historiador natural de Guaporé e radicado em Caxias do Sul, ambas no Rio Grande do Sul. É advogado e historiador. Escreve preferencialmente sobre a imigração italiana no RS.
É dono do blog
um pouco de historia (e-mail: ponzi_historia@yahoo.com.br)
Nas histórias do Bar Treze, além das delícias que alimentam o corpo, estão as delícias da eterna juventude, ou seja, as que alimentam a alma. No Bar Treze criou-se o Mala do Ano, e a cidade entrou no Bar para votar. O autor revive essa história, tornando-a saborosa e divertida além de interessante, já que a história do Bar Treze se confunde um pouco com a história de Caxias do Sul.


Educs (Editora da Universidade de Caxias do Sul/RS) - 2002
Dica do antropólogo Enrico Spaggiari

Academias de Bambu – Boemias e intelectualidade nas mesas de bar

Phelipe Caldas

Primeiro livro do jornalista paraibano (à direita).
“Academias de Bambu tem o mérito e a coragem de lançar uma luz sobre uma faceta da cidade de João Pessoa e seus intelectuais, sobretudo sobre um bar, que findou após um crime banal, porém de muita comoção, porque quando jovens de classe média cometem um crime, a sociedade normalmente se escandaliza.” – resenha do jornalista, radialista e diretor teatral João Costa, colunista do site
paraiba.com.br

Editora Universitária
115 páginas
Dica: David da Silva

ARTIGOS EM PERIÓDICOS

Dicas do antropólogo Enrico Spaggiari:

Trabalho, Lar e Botequim - Francisco Rüdiger - Cadernos da Associação Nacional de Professores de História, Porto Alegre, p. 52 - 55.

Botecos: um Estudo sobre as Formas de Sociabilidades Masculinas em Porto Alegre, Denise Fagundes Jardim - Ciência e Cultura (SBPC), v. 42, n. 7, p. 53-54, 1990.

TESES E DISSERTAÇÕES

Dicas do antropólogo Enrico Spaggiari:

Ai, que saudade da Lapa: O bar e a canção na (re)invenção da boêmia em Brasília, Patricia Silva Osório – 2001 - Mestrado em Antropologia Social - Universidade Federal do Rio Grande do Sul


De Bar em Bar: Identidade Masculina e Auto Segregação entre Homens de Classes Populares,Denise Fagundes Jardim – 1991 - Dissertação de Mestrado em Antropologia - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Pendura Essa: A Complexa Etiqueta de Reciprocidade em um Botequim do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Thiago de Mello – 2003 - Dissertação de Mestrado em Antropologia - Universidade Federal Fluminense

Dicas do antropólogo Pedro Paulo Thiago de Mello:

Mulher é o cão, monografia de Pedro Guedes do Nascimento
Trata dos discursos sobre a mulher, construídos num pe-sujo da Feira Central de Campina Grande (PB)

Bar, lugar do álcool, território dos homens - monografia defendida na UFF por Marcel Peçanha

O botequim na era da reprodutibilidade das filiais: estudo de caso do Belmonte, monografia de Mila Chaseliov